Quando Deixamos de ser Estranhos de Nós Mesmos
- Renê Ruggeri

- 30 de mar.
- 3 min de leitura

Acho que todos nós, em algum momento, nos sentimos diferentes. Uns mais, outros menos, mas a verdade é que somos seres singulares. Ser assim é normal; sentir-se assim também é. O problema é que, embora nos reconheçamos diferentes, buscamos desesperadamente o pertencimento pelas semelhanças.
Onde fica, então, quem não se encaixa nos padrões óbvios?
Durante décadas, convivi com a sensação de não estar conectado. Era o sentimento de estar fora de lugar, de ser um estranho (ou de estranhar) locais e pessoas. No trabalho, nada parecia feito para durar; tudo tinha cara de passageiro. Eu estabelecia objetivos, atingia-os com rapidez e, logo em seguida, o sentido de estar ali se esvaía.
É claro que isso não ocupava toda a minha existência, pois seria enlouquecedor. Eu sempre tive relações sociais e de trabalho. E tinha meus projetos particulares. Fiz amigos em várias situações — poucos, é verdade, mas fiz. Tive meus amores e desamores normais. Não posso dizer que tive uma vida ruim, mas isso não significa que aquela sensação de inadequação não me incomodasse com uma boa frequência. Eu vivia sob uma pressão invisível.
Já maduro, participei de um processo de autoconhecimento que não planejei. Acreditem: foi libertador. Não porque o mundo mudou, mas porque eu me liberei das restrições que eu mesmo me impunha. Eu acreditava que certas partes da minha natureza não seriam bem-vindas e consumia uma energia vital imensa tentando "segurar" quem eu era. Eu retinha impulsos, palavras e comportamentos para tentar caber nas ocasiões.
Descobri que o que eu julgava como "defeito" era, na verdade, “design”.
Ao mergulhar em ferramentas fundamentadas e mapas que explicam a complexidade humana, percebi que meus traços de personalidade não eram erros de fabricação, mas qualidades da minha própria natureza. Descobri que outras pessoas também os tinham e que, mesmo quem não os possuía, podia apreciá-los.
Essa descoberta expandiu meu universo interno. Hoje, as características que eu antes coibia, eu cultivo. Não me livrei de todas as dificuldades de conexão, mas o mundo e as pessoas deixaram de ser estranhos para se tornarem admiráveis.
Hoje, consigo olhar para trás e ressignificar minha história. Vejo minha natureza aflorando em passagens onde eu tentava silenciá-la e, finalmente, dou risada de ideias minhas que antes eu recriminaria por serem "descabidas".
O autoconhecimento é uma jornada sem fim, mas a etapa que percorri me transformou em mim mesmo — porque, antes, eu era apenas quem eu me forçava a ser. Hoje, o mundo é o meu lugar. E o meu trabalho passou a ser arquitetar formas para ajudar outras pessoas e organizações a entenderem e encontrarem, também, os seus lugares no mundo.
Por isso criei o Workshop Você, o Outro e o Mundo. Ele oferece conteúdos que subsidiam as pessoas a se entenderem por si mesmas, enquanto compreendem a complexidade do mundo. Ao buscarmos o autoconhecimento, é natural que emerja também o conhecimento do 'outro', que pode se revelar similar ou oposto a nós em diversas situações e características.
Essa jornada de autodescoberta apoia-se em teorias amplamente reconhecidas, fundamentadas em estudos científicos que se acumulam desde a psicologia de Jung até as pesquisas mais recentes das últimas décadas.
O caminho para uma compreensão ampliada da realidade vem pela Teoria Integral de Ken Wilber, utilizada não como um fim em si mesma, mas como o substrato necessário para orientar o entendimento e o posicionamento pessoal. Este é um de seus grandes méritos: oferecer um mapa para o território da existência.
A união desta visão integral com o acesso aos traços marcantes de nossas formas de pensar, sentir e agir fornece um arcabouço poderoso para refletir sobre nossa trajetória e nossa relação com a vida.
Foi isso que eu fiz, é isso que tenho feito e te convido a viver esta experiência.




Comentários