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A energia psíquica e os caminhos do desenvolvimento

29 de set.
3 min de leitura

A ideia de que nossa vida psíquica não é estática, mas permanentemente movimentada por forças que orientam interesses, desejos, afetos e ações, é fundamental para compreender a concepção de energia psíquica em Jung. Devemos, entretanto, ter cuidado para não confundir a energia psíquica com a energia biológica. Trata-se de um conceito específico para compreensão da dinâmica da psiquê.


A energia psíquica é um conceito abstrato, não se refere a alguma substância. A partir dela podemos compreender as forças psíquicas, como o desejo, a vontade, as emoções, impulsos, afetos etc., bem como suas intensidades. Enfim, toda manifestação da vida psíquica pode ser compreendida como expressão de movimentos e transformações da energia psíquica. Ela está permanentemente fluindo à medida que interagimos com o mundo exterior ou interior.


Para Jung, libido é a energia psíquica em sentido amplo, e não exclusivamente a energia sexual postulada por Freud. Ela tem status geral e verte em todas e quaisquer direções que a psique demandar. Repare que ela sequer responde a uma fórmula mecanicista do tipo dado isso, ocorre aquilo. Mas o fato é que sempre está lá, transformando-se em ato psicológico (que pode ou não repercutir em ato mecânico, ou comportamento visível).


Como hipótese energética, Jung admite um princípio de conservação: a energia psíquica não simplesmente desaparece, mas pode ser deslocada, transformada e canalizada de uma atividade ou conteúdo para outro. Assim, nosso funcionamento pode ser compreendido, em parte, como movimento ou direcionamento da libido, ou energia psíquica.


Quando a energia psíquica é direcionada à adaptação ao mundo externo, ou às condições da vida que nos são impostas pelo meio, diremos que o movimento da libido é progressivo. Já, quando é direcionada das formas conscientes de adaptação para as condições internas da psique, dizemos ser regressivo. Ambos os movimentos são vitais, pois a regressão pode eventualmente reorientar a energia e contribuir para a reorganização da adaptação quando a progressão se mostra inadequada às condições da vida. Ao longo da vida, esses movimentos participam da dinâmica de adaptação do indivíduo ao mundo. É, inclusive, com base na regressão, que a energia pode ser recanalizada, contribuindo para a reorganização e diferenciação da personalidade.


Se os movimentos de progressão e regressão sustentam o processo de desenvolvimento psíquico do indivíduo, sua atitude em relação ao mundo estabelece condicionantes para este crescimento que refletem em seu comportamento geral.


Se a consciência do indivíduo tem atitude orientada para o mundo externo, buscando sua integração com ele através do foco nas coisas externas (pessoas, objetos, acontecimento etc.), consideramos que a libido verte em direção ao mundo. Trata-se de uma atitude de extroversão.


Já, se a consciência do indivíduo foca nas formas subjetivas de assimilação e compreensão da realidade, como que mantendo a referência externa de certa forma distante, sua libido é orientada pela perspectiva do sujeito. Trata-se de uma atitude de introversão.


Introversão e extroversão são, então, atitudes que orientam a relação da consciência com o mundo, diferentemente da progressão e regressão que são movimentos de adaptação psíquica ao mundo. Jung, numa explicação livre, diria que progressão e regressão são movimentos no tempo e introversão e extroversão são direcionamentos no espaço.


Mas a realidade é diversa e as condições da vida nos afetam de formas diferentes em momentos diferentes. Por mais que cada indivíduo tenha um direcionamento preferencial para a libido em sua relação com o mundo, eventualmente pode apresentar atitude oposta. Ambas são vitais, pois nos favorecem a integração com o mundo exterior ou interior. Uma atitude unilateral tenderá a reprimir a oposta, podendo produzir manifestações compensatórias pouco funcional na adaptação ao mundo.

 

 

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