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Adoecimento mental é “mimimi” geracional?

É comum, ao falarmos dos problemas de saúde mental no trabalho que surja o argumento de que a geração mais jovem é muito frágil, cheia de mimimi. Em geral a crítica é expressa por representantes das gerações anteriores. Essas diferenças de gerações, em si, já são um fator psicossocial no ambiente de trabalho, mas é inevitável que ocorram, pois convivemos com 4 gerações no ambiente laboral atualmente.


Resolvi analisar alguns números e os resultados podem surpreender as gerações “raízes”.


O Brasil possui 103 milhões de trabalhadores, ou seja, pessoas ocupadas. Destes, cerca de 35 milhões não contribuem para o INSS e, portanto, não têm direito a Auxílio por Incapacidade Temporária (o afastamento do trabalho). Vou arredondar para 100 milhões de ocupados e 70 milhões vinculados ao INSS para facilitar contas.


Sabemos, das pesquisas que vem sendo divulgadas, que chegamos a mais de 500 mil afastamentos do trabalho por saúde mental com base em dados do INSS. Ou seja, dos 70 milhões de contribuinte com o INSS, 500 mil se afastaram por problemas com a saúde mental em 2025. Isso corresponde a 0,71% dos trabalhadores contribuintes totais.


Uma ajudinha da IA e compilamos a seguinte distribuição dos trabalhadores contribuintes por gerações:

 

Geração

Nascidos entre

Idade Atual

% Estimada

Quantidade (base 70 milhões)

Geração Z

1997 – 2012

14 a 29 anos

~19%

13,3 milhões

Geração Y (Millennials)

1981 – 1996

30 a 45 anos

~41%

28,7 milhões

Geração X

1965 – 1980

46 a 61 anos

~31%

21,7 milhões

Baby Boomers

1946 – 1964

62 a 80 anos

~9%

6,3 milhões

 

A IA ajudou também a estratificar os afastamentos por geração:

 

Geração

Faixa Etária Aproximada

% dos Afastamentos Mentais

Quanti. de afastamentos (base 500 mil)

Geração Z

18 a 29 anos

~18%

90 mil

Geração Y (Millennials)

30 a 45 anos

~46%

230 mil

Geração X

46 a 61 anos

~30%

150 mil

Baby Boomers

62 anos ou mais

~6%

30 mil

 

Agora sim, podemos verificar qual geração está mais impactada com afastamentos por saúde mental:

 

Geração

Quantidade (base 70 milhões)

Quanti. de afastamentos (base 500 mil)

% de afastamentos na geração

Geração Z

13,3 milhões

90 mil

0,67%

Geração Y (Millennials)

28,7 milhões

230 mil

0,80%

Geração X

21,7 milhões

150 mil

0,69%

Baby Boomers

6,3 milhões

30 mil

0,47%

 

A conclusão é simples: por mais que a geração Y ou Millenial apresente um índice ligeiramente maior de afastamentos, a saúde mental tem sido impactada com o mesmo rigor em quase todas as gerações. Os Baby Boomers aparentemente têm tido melhor resultado, com um índice bem abaixo do máximo (geração Y).

Mas a história não termina aí.


Uma pesquisa feita por uma grande consultoria de RH e recolocação profissional, identificou que mais da metade dos trabalhadores não informam diagnósticos de estresse, ansiedade ou burnout, nem mesmo quando fazem uso de medicamentos psicofarmacológicos. Entre os líderes a porcentagem é maior que entre os liderados. Ou seja, os números da saúde mental são, na realidade, ainda maiores que os oficializados pelo INSS. Se mais de 50% não informam é sinal de que os números reais podem ser aproximadamente o dobro dos oficiais.


Os problemas de saúde mental são endêmicos na população de trabalhadores, assim a gripe comum é na população em geral. Ou seja, sempre há casos de gripe na população ou de adoecimento mental entre os trabalhadores. A questão é a variação das taxas de incidência consideradas normais.


Uma doença com taxa de incidência de 0,1% é considerada leve. Uma outra com taxa de incidência de 0,3% já tem condições de caracterizar uma epidemia. É claro que esses não são parâmetros rigorosos e há outras condições que caracterizam uma epidemia. Mas, volte ao quadro e veja as taxas de incidência de adoecimento mental na população de trabalhadores. A conclusão é sua: vivemos uma epidemia silenciosa ou não? E lembre-se os números reais podem ser o dobro.


È expectativa comum que nossos líderes empresariais seja profissionais experientes e altamente competentes. Em geral das gerações X ou até Baby Boomers. Exatamente aqueles que criticam as gerações mimimi, dizendo que na sua época era diferente. Aliás, isso explica um pouco porque as lideranças evitam informar seu adoecimento mental. Pois bem, eles também estão adoecendo mentalmente e não informam, lanço a questão: Qual geração tem realmente adoecido?


Nossas lideranças precisam largar o mimimi e enfrentar a epidemia com a responsabilidade profissional que exigem dos liderados.


Como você, líder, tem encarado o tema no seu trabalho?

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