PMBOK 7: atenção aos conceitos fundamentais

Enfim chegou o PMBOK 7ª Edição, aguardado e anunciado como transformador. O susto, logo de cara, é grande. Muitas diferenças. O que fazer com as edições anteriores, tão diferentes? Há uma grande interrogação à frente dos gerentes de projeto.


O projeto de disseminação do PMBOK 7 possui um grande risco que, como sempre, está associado à comunicação. Há algumas palavras chaves no novo PMBOK que precisam ser muito bem compreendidas para que as ideias contidas no texto sejam assimiladas corretamente. Estamos diante de uma questão crítica de codificação e decodificação.


Mas, gerentes de projetos devem ser especialistas em comunicação, afinal ela é a campeã de problemas nos projetos e por muito tempo e muitas vezes foi credenciada como a principal causa de insucesso nos projetos. Como quem foi rei nunca perde a majestade, estamos, mais uma vez, diante de um problema de comunicação.


Há duas palavras primariamente fundamentais no PMBOK 7: princípios e domínios. É preciso entender rigorosamente o que significam para refinar a compreensão das ideias.


Antes, porém, devemos destacar, como o próprio PMBOK faz já no prefácio, que devemos deixar um pouco de lado as abordagens baseadas em processos (o que não significa que devemos esquecê-las). Ou seja, aquele aspecto metodológico que tanto criava mal-entendidos nas edições anteriores do PMBOK ficou de fora. A abordagem agora é baseada em princípios e domínios. E o melhor, estes princípios e domínios, em tese, são adequados a quaisquer tipos de projetos, conduzidos sob qualquer abordagem. Afinal, princípios e domínios são essencialmente genéricos.



Então, mãos a obra...


Como sempre faço, vamos à etimologia, baseado no site www.origemdapalavra.com.br:


PRINCÍPIO – do Latim principium, “origem, causa próxima, início”, de primus, “o que vem antes”, do Grego prin, de mesmo significado.


Na ciência o termo princípio é adotado para aquilo que está na base das ideias de uma determinada área de conhecimento. É algo creditado como verdade por nunca ter sido falseado. Um princípio é algo que condiciona os fenômenos observados na ciência. Há princípios físicos, sociais, biológicos etc. Os princípios são a base de toda e qualquer ciência. Todos os fenômenos devem obrigatoriamente obedecer aos princípios. Eles são inegáveis, irrevogáveis, irreparáveis etc. (sempre em tese, pois, afinal, podem ser postos a prova a qualquer momento). Os princípios não são explicados pelas teorias, mas as explicam. Estão antes de tudo.


Um princípio é, então, aquilo que admitimos deve estar sempre presente e qualquer ocorrência deve atendê-lo, pois ele deve sustentar a existência de todos os fenômenos.


Na física do movimento, todo corpo permanecerá em movimento (princípio da inércia) e na evolução das espécies, prospera o mais adaptável (princípio da seleção). É só procurar e você encontrará princípios em todas as áreas do conhecimento humano. Ideias que estão nas bases das formulações teóricas e que permanecem creditadas à medida que novas experiências e observações são feitas.


E na gestão de projetos? Que princípios devem nortear os fenômenos em uma gestão de projetos bem realizada?


É claro que, como os projetos são esforços humanos e temos o livre arbítrio, podemos fazer as coisas de um jeito ou de outro à nossa escolha. Por isso, estabelecemos princípios que devem ser respeitados, mesmo que possamos negligenciá-los. Essa é a diferença de um princípio científico, que jamais é falseado, e um princípio imposto pelo homem, que pode ser desobedecido a qualquer momento, por qualquer pessoa (mas não sem consequências).


Enquanto os princípios científicos são naturalmente universais, os princípios impostos pelo homem são sempre deliberações. Deliberamos para decidi-los e deliberamos para respeitá-los, porém sempre com foco em objetivos definidos.


Os princípios do gerenciamento de projetos estabelecidos no PMBOK são aqueles que se julga devam guiar toda e qualquer ocorrência na gestão do projeto. Ou seja, devem ser considerados em toda e qualquer deliberação das equipes dos projetos.


Vejamos, então quais são.


O primeiro princípio do GP mal pode ser traduzido: stewardship. Diz respeito á ser ético, mas no sentido mais amplo possível do termo. Pensemos que ser ético é ser aquilo que uma espécie de pacto ou expectativa social estabelece para nossos papeis na sociedade. Engloba honestidade, confiabilidade, respeito, consideração, responsabilidade (social, ambiental, econômica etc.), transparência etc. Não é difícil admitir que realmente deve-se gerenciar projetos fundamentado nestas diretrizes. E repare que isso não se limita ao projeto, mas também ao que é externo a ele.


Na sequência aparece o princípio da colaboração, o que remete às equipes, ao time. O projeto deve ser gerenciado como um trabalho colaborativo em equipe. Já escrevi sobre colaboração em e-books disponíveis no meu site, mas aqui vou resumir distinguindo colaboração e cooperação com uma frase de efeito. Esta confusão é muito comum, mas pense que cooperação é a soma dos resultados gerados pelos esforços individuais das partes e colaboração é soma dos esforços das partes que cria o resultado único. Perceba como colaboração está mais apropriado ao próprio conceito de projeto, ainda que a cooperação se encaixe bem no conceito de subprojetos. Cabe aqui todo o conhecimento sobre equipes de alta performance.


O princípio do engajamento das partes interessadas instrui a tornar o projeto participativo, no sentido incluir da melhor forma os interessados no projeto. É algo como tornar as fronteiras do projeto mais permeáveis ao que lhe parece externo. É considerar as relações no entorno do projeto. É pensar na comunidade, na sociedade.


O foco no valor é o princípio que, em última análise, justifica a própria existência do projeto. Nenhum projeto deve ser conduzido se não gerar valor para o negócio, para as pessoas etc. Tudo no projeto deve considerar esse seu propósito, gerar valor e benefícios.


A abordagem sistêmica do projeto inclui suas relações internas e externas. O projeto influencia e é influenciado de várias formas em todas as suas fronteiras. Tudo que é feito produz reflexos em várias direções e com intensidades variáveis. É preciso ter essa percepçã