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Terapia BIM (para pais)

February 9, 2019

Há uma fala muito comum e interessante entre projetistas de Arquitetura e Engenharia que resolvi usar como cenário para este texto: “projeto é como um filho”. De fato, considerando que os projetos são concebidos por seus projetistas, há algum significado em estabelecer essa analogia. Pois bem, é com ela que vamos construir nossa argumentação.

 

Senão vejamos...

 

As pessoas de verdade são, obviamente, filhos. Como tal, nascem e crescem passando por várias etapas em suas vidas. Os projetos são semelhantes, em algum momento nascem e a partir daí enfrentam sua jornada de desenvolvimento. Ao nascerem recebem um nome. O nosso chamar-se-á Projeto de Arquitetura e Engenharia, docemente apelidado de Projeto AEC, ou apenas Projeto.

 

O rebento inicia sua vida numa etapa de plena exploração do mundo. Pesquisas, perguntas, observações, etc. Toda criança é curiosa na sua primeira infância e assim deve ser pra que rapidamente se apodere de informações importantes para seu desenvolvimento. É o Levantamento de Informações do Projeto AEC. Se não colocar o dedo na tomada não saberá que dá choque; se não cair, não saberá que machucados dóem, etc. As experiências são importantes professoras na vida. Papai e mamãe observam e ajudam, mas o nosso guri, Projeto, precisa se dedicar às suas próprias descobertas. Cada criança precisa fazer sua pesquisa. A troca de experiências com coleguinhas pode ser muito útil e interessante, mas a pesquisa de um não substitui a pesquisa de outro. É preciso sentir para aprender. Papai e mamãe também conversam com outros pais, mas nada substitui a pesquisa do seu pupilo, ele precisa aprender por si só.

 

 

Quando Projeto se sente mais seguro, começa a esboçar suas próprias decisões. Agora, além de aprender com o que acontece à sua revelia, ele quer decidir sobre o que quer fazer. É hora de começar seus Estudos Preliminares. Ainda inseguro, mas já com alguma personalidade, Projeto se arrisca nas suas criações, racionais e artísticas. Se sente o dono do mundo, mas está sob estreita vigilância. Após os primeiros rabiscos, Projeto se torna mais audaz. Se inspira nos super heróis e imagina um super Projeto. Mas, com o passar do tempo, deve perceber que o mundo não é tão fantasioso e é preciso de adequar a uma realidade e a relações obrigatórias nas quais terá que se enquadrar. Projeto começa a sentir o peso da sociabilidade, sem Sr. Projetista e Sra. Projetista para defende-lo. Ele precisa se justificar e negociar suas realizações com colegas, se não quiser ser excluído. Projeto já tinha reparado, mas agora toma consciência de fato (e na marra) da multidisciplinaridade do seu mundo. Descobre que não é ele apenas, que há outros que lhe são semelhantes e com os quais precisa conviver. Projeto começa a perceber que a vida não se trata apenas do que ele faz das suas coisas, mas também do que ele faz das suas relações com as coisas dos outros. Ele inicia a construção do seu castelo de amizades e parcerias, percebe que umas são mais fáceis, outras mais difíceis, mas todas necessárias.

 

 

Projeto AEC agora cresceu e já joga bola e anda de bicicleta. Parece meio rebelde, querendo resolver tudo sozinho. Quer ser dono da sua vida. Projeto AEC entrou na adolescência, digo, no Anteprojeto. A resolução dos seus conflitos é crítica nessa etapa e há vários deles pra serem discutidos. Enquanto Projeto luta internamente para definir sua própria identidade, seus amiguinhos também enfrentam suas próprias odisseias. Alguns simpatizam entre si e tudo parece se resolver fácil, mas há conflitos difíceis. Projeto sente o medo do enfrentamento, as vezes se esconde, as vezes parte pra cima. Tudo parece muito intenso. Projeto experimenta o amor e o ódio, a euforia e a angústia, as emoções que lhe provocam marcam sua história e as que ele provoca nos outros marcam as deles. Mas é comum Projeto estar tão compenetrado com seus conflitos internos que não percebe os conflitos que gera. Se papai e mamãe chamam a atenção, Projeto reage com vigor. É uma etapa muito difícil, mas Projeto precisa passar por ela. Nesta etapa Projeto tomará sérias decisões com as quais terá que conviver o resto da vida, entre elas, o que ele vai ser quando crescer.

 

 

Projeto, agora mais compenetrado e cheio de energia, decide o que será da sua vida (com alguma dúvida, mas precisa decidir). Pode escolher uma profissão, abrir um negócio, virar religioso, etc. Enfim, projeto passará a ser conhecido pelos demais pelo papel que escolheu desempenhar no mundo. Ele precisa mostrar a que veio e convencer de suas capacidades de atender às expectativas. Projeto precisa ser acreditado pelos demais, precisa de aprovações. Até receber seu diploma ou seu reconhecimento, Projeto passará por diversos testes. É o Projeto Legal buscando sua aceitação na sociedade. Não se trata, no fundo, de aprovação, mas de aceitação e acreditação. E Projeto faz isso junto com seus amigos, depois de muitas baladas, desavenças, intrigas, amores, dores e alegrias.

 

 

Agora Projeto se impõe e visa estabelecer relações profissionais sérias. É o Projeto Básico se apresentando ao mundo para construir parcerias e negócios. Projeto sabe o que quer, mas precisa de apoio porque é muita coisa para construir sozinho. Apresenta-se, negocia, se impõe, cede, etc. e vai construindo o time que com ele construirá seus planos. É uma etapa fundamental e decisiva da sua vida. Projeto precisa empreender em rede.

 

 

E é nessa etapa que Projeto se casa. Um outro ser que realizará todos os seus sonhos: a Obra. Projeto se enche de expectativas. Será que Obra fará aquilo por ele!...rs...E o que ele estará disposto a fazer por Obra? ..rs... Será que vai funcionar? E aquelas coisas que Projeto não conseguiu realizar até então, com Obra será possível? Muitas dúvidas e planos ressurgem e se somam a outros. Projeto e Obra precisam formar um casal perfeito. Mas a relação é difícil, pois Projeto e Obra têm formações muito diferentes. A história de um e outro os levaram a criar valores e princípios que às vezes parecem opostos. Ambos compartilham o mesmo objetivo e isso os impele a tentar. Projeto e Obra querem executar estes planos. Estamos no Projeto Executivo. Projeto vai se explicando à Obra e esta argumentará suas dificuldades em entende-lo. Projeto precisa se adequar à Obra e Obra precisa compreender Projeto. Não é fácil, mas é preciso, afinal, eles se amam (ou, pelo menos, se escolheram). Nesse momento difícil, todos os conflitos mal resolvidos nas etapas anteriores de suas vidas vêm à tona. Projeto e Obra parecem repetir a história do Sr. e Sra. Projetista e do Sr. e Sra. Construtor. Papais e mamães voltam a se fazer presentes para ajudar Projeto e Obra no início da nova vida. Mas há sempre o risco da presença de um deles atrapalhar, afinal, já estamos falando de pelo menos seis histórias diferentes pra conciliar. E Projeto e Obra planejam passar o resto de suas vidas juntos. Casaram na presença do Sr. Empreendedor, que fez um belo sermão, e assinaram documentos no cartório.

 

 

Atualmente, Projeto e Obra tem tido muita dificuldade de se entenderem. Começaram a perceber que passaram pelas etapas anteriores deixando muitas coisas mal resolvidas. Os conflitos parecem não terminar. Percebem que há reflexos da criação que tiveram e desabafam com Papai e Mamãe na intimidade do lar. Querem que tudo melhore, precisam resolver estes conflitos que ameaçam suas felicidades, mas não sabem muito bem como fazer isso.

 

Projeto e Obra sofrem e isso é doloroso para todos.

 

 

No momento, o terapeuta mais procurado é o Dr. BIM. Mas, nesse caso, os pacientes são os pais. Dr. BIM ajudará papais e mamães a repensarem a criação de Projeto e Obra.

 

Projeto 2 está a caminho e não precisa sofrer também!

 

Abraços

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