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Porque BIM é uma decisão estratégica? (ou "to BIM or not to BIM"?)

October 22, 2015

Praticamente todos os profissionais que falam de BIM são unânimes em afirmar que BIM é uma decisão estratégica da empresa. Porém, muita gente têm dificuldade de compreender o que significa isso em termos práticos. Vamos tentar ajudar nesse entendimento.

 Primeiramente vamos entender o que seriam decisões estratégicas.

 Decisão estratégica em uma organização, de forma bem simples, é uma decisão tomada com base no Plano Estratégico da organização. O Planejamento Estratégico parte da análise da organização e seu contexto para definir o papel da organização na sociedade, sua missão. Esta missão é a inspiração para que a organização reflita sobre a situação em que pretende chegar no curto, médio e longo prazos; sua visão. Ou seja, abstrai-se, com base em pressupostos consistentes, o que é possível realizar e que direção a organização deve tomar para o futuro. Define-se como a organização quer ser reconhecida pela sociedade. A partir daí, estabelece-se os objetivos ou metas que uma vez atingidos contribuirão para que a organização seja reconhecida de uma forma ou de outra e, portanto, atinja (ou não) a posição almejada. Esses objetivos é que definirão as ações que a organização deve empreender; são os objetivos estratégicos. Obviamente, a conduta da organização não pode ser um jogo de vale tudo e, portanto, nesse processo de Planejamento Estratégico, a organização define seus princípios de ação, seus valores éticos, etc. Essas definições constituirão o caráter comportamental da organização, sua forma de conduta.

 

É claro que o exposto acima está sujeito à complexidade das relações que se estabelecem entre pessoas interna e externamente à organização e também das relações desta com outras instituições. A organização é um sistema aberto, como se sabe. Isso quer dizer que, no andamento do que foi planejado, muita coisa pode acontecer. O Planejamento Estratégico é, portanto, um esforço praticamente contínuo.

 

Onde o BIM entra nisso?

 

A questão é que dentre os objetivos estratégicos, certamente há metas relacionadas aos três conjuntos que compõem uma organização: humanware, hardware e software. A organização direciona o perfil técnico e humano que quer ter no seu quadro de colaboradores, estabelece as instalações físicas necessárias para chegar aos seus objetivos e constrói seus processos e procedimentos técnicos e gerencias responsáveis pela produção dentro da organização.

Nesse contexto de consecução do que fora planejado desenvolve-se uma cultura peculiar à organização: a cultura organizacional. Então, esta cultura possui componentes relativos ás pessoas (individualmente ou em grupos), aos recursos físicos (que condicionam as relações) e ao procedimentos, regulamentos, normas, códigos, etc. (que intermediam as relações).

 

Mexer em qualquer um destes componentes significar alterar substancialmente algo que está na essência da organização. Se a analogia vale, é algo como submeter uma pessoa a um processo de transformação física, psicológica ou de conhecimentos. O interessante é que dificilmente se transforma um destes aspectos sem impactar os outros, sobretudo se a transformação imposta for grande.

 

E o que o BIM faz nas organizações? Vejamos...

 

Você institui com o BIM toda uma nova gama de tecnologias computacionais (programas). Isso é óbvio. Essas tecnologias, para que permitam seu uso eficaz, exigem que sejam alimentadas (dados de entrada) de uma forma diferente do que se está acostumado. Vejam por exemplo, a diferença dos objetos manipulados no AutoCAD com aqueles manipulados no Revit (ambos softwares fornecidos pela mesma empresa, diga-se de passagem). Ora, se esta alimentação de dados é diferente, a forma de obtê-los (ou modelá-los) não pode ser a mesma. Assim, tais tecnologias condicionam o processo de trabalhar tais informações. Temos aí o componente software da organização sofrendo uma transformação bastante profunda. Não se trata apenas dos processos internos dos programas computacionais, mas das formas de processar as informações, mesmo fora destes programas. Estes processamentos externos ocorrem antes de fazer inserções de dados ou quando se faz coletas de dados nestes programas computacionais. Isso acontece a todo momento, evidentemente, com os diversos profissionais que atuam nestas organizações.

 

Agora pensemos: estas mudanças de programas e de processos de trabalhar tais informações exigem instalações físicas diferentes? Comecemos pelos computadores. Os programas da plataforma BIM costumam exigir mais capacidade dos computadores e oferecem possibilidade de produtividade muito superior. Com isso, o parque computacional de uma organização que trabalhe com BIM costuma ser menos numeroso e mais capaz por unidade. São necessários menos computadores com maior capacidade de processamento (considerando a mesma produção).

 

Mas há também o aspecto da colaboração, ou do trabalho colaborativo, muito ressaltado no BIM. Esse aspecto  estabelece que vários profissionais trabalhem sobre a mesma concepção simultaneamente. Isso mesmo, cada um no seu computador, mas manipulando o mesmo modelo. Obviamente isso pressupõe uma larga capacidade de operação em rede de computadores (interna ou externa). Não estamos falando apenas de interligação, mas em capacidade de fluxo de informações, proteções, condicionamentos de acessos, etc. Isso não chega a ser novidade, mas a escala em que isso é exigível com o BIM altera-se. Trata-se também de uma mudança física na organização que se soma á redução de espaço (ou melhor aproveitamento deste) pela redução da quantidade de computadores.

 

Não é difícil perceber que as transformações na organização atingem diretamente o componente humanware. Os profissionais que trabalham com BIM precisam de novas habilidades, novos conhecimentos e novas atitudes, ou seja, uma nova competência. É preciso capacitar no uso dos novos programas e nos conhecimentos necessários à compreensão do universo BIM. Percebam que além das capacidades técnicas que devem ser redirecionadas para este novo padrão de arquitetura computacional, há ainda as habilidades humanas que precisam ser desenvolvidas para propiciar o desempenho adequado nos novos processos de trabalho. Estamos falando de um nível de interação pessoal e profissional bem mais intenso e profundo. Por exemplo, um profissional de outra área "dar pitaco" no seu trabalho não é um comportamento bem quisto na maioria das vezes atualmente. Contudo, os processos colaborativos tornam esse tipo de intervenção altamente proveitoso.

 

Apenas pelo fato de interferir tão profundamente nos três componentes de uma organização, já teríamos argumento suficiente para justificar o fato da implantação de BIM ser encarada como uma decisão estratégica. Mas há mais...

 

O trabalho com BIM pressupõe que toda a cadeia produtiva da construção civil seja considerada efetivamente desde os primeiros movimentos do empreendimento (sua concepção inicial enquanto negócio). Isso significa que o BIM condiciona diretamente a forma como as organizações serão vistas por seus pares, fornecedores e clientes (agora praticamente alçados à condição de clientes internos, se avaliada toda a cadeia produtiva). O Plano Estratégico das organizações precisa considerar esta nova configuração do mercado. A missão da organização agora deve contemplar não apenas seu fornecimento ao mercado, mas a forma como irá figurar na cadeia produtiva, sua relações com os demais elos da cadeia. Seus objetivos estratégicos (aquelas ações que empreenderá para cumprir sua missão e para influenciar a forma como é vista no mercado) agora são mais estreitamente vinculados aos objetivos de outras organizações parceiras, clientes ou fornecedoras. O BIM estreita as relações, impõe um nova configuração de cadeia e mercado e ocupa lugar vital nas relações entre os elos da cadeia produtiva.

 

Dito tudo isto, só nos resta refletir como inserir o BIM na nossa organização, ou como incluir nossa organização no universo BIM. E a resposta estratégica deve ser dada inicialmente à questão:" to BIM, or not to BIM"? Tome sua decisão e lembre-se que ela é estratégica e não apenas tecnológica.

 

Abraços

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