© Copyright  2018 por Renê Ruggeri Engenharia e Consultoria Ltda. Desenvolvido por Navii Inteligência Digital

A realidade é uma construção coletiva

September 24, 2015

Sabemos pelo estudo da Semiótica (http://www.reneruggeri.com/#!Semi%C3%B3tica/c1hc3/2) que as interpretações que construímos das coisas que ocorrem à nossa volta são feitas a partir da percepção dos signos que nos são apresentados no cotexto experimentado. Há nesse fenômeno vários aspectos importantes.

 

 

  • Primeiro: a existência dos signos como intermediários entre as coisas e nós.

  • Segundo: a ideia de que os signos são percebidos, ou seja, tomamos consciência deles através da percepção, dos sentidos que possuímos (tato, olfato, visão, etc.).

  • Terceiro: o fato de que as interpretações que produzimos são individuais, subjetivas, porque internalizamos as informações que nos passa o signo através da percepção dele.

  • Quarto: todo esse processo é experimentado, ou seja, surge a partir da experiência sensorial vivida e das ideias formuladas ou organizadas em torno dessa experiência.

 

É impressionante o que decorre disso tudo!

 

Se os contextos são percebidos de forma diferente por cada indivíduo, e isso é fato porque cada um possui mais ou menos habilidade para cada sentido, então as percepções e interpretações são diferentes. Ou seja, experiências de um mesmo contexto são diferentes para cada pessoa e levam a interpretações diferentes. É claro que podem ser diferenças mínimas em situações bem simples, mas nas complexas, o resultado interpretativo de cada indivíduo pode ser muito diferente do de outro.

 

O conjunto das experiências vividas por uma pessoa responde pela construção das suas interpretações e acumula-se a cada nova experiência. Assim, a rigor, cada pessoa vivencia o mundo de uma forma diferente, o que nos levaria a concluir que o mundo de cada pessoa é diferente. Isso precisamente é fato, pois cada pessoa conhece do mundo apenas a percepção que teve ou tem dele. Ou seja, a rigor cada pessoa tem seu próprio mundo.

 

Até aqui tudo bem, parece não haver grande novidade.

 

Mas esse fenômeno deixa claro também que ninguém pode garantir que sua interpretação traduz o que de fato é o mundo, pois, o que conhece (ou ao menos diz que conhece) não passa de uma subjetividade. Isso já pode ser um pouco mais difícil de aceitar, mas pensemos bem... Uma pessoa "louca" é uma pessoa que percebe e interpreta o mundo de uma forma peculiarmente própria. Individualmente somos então todos "loucos".

 

O que torna possível nossa convivência segundo parâmetros coletivamente aceitos? Isso corresponde a perguntar: o que nos coloca em condições de conviver mutuamente se o mundo de cada um é diferente do outro?

 

A resposta está naquilo que podemos aceitar ser congruente entre as interpretações de cada um. Mas, para descobrir essas congruências somos levados a nos comunicar e isso implica em submeter-mo-nos a novas experiências perceptivas e novas interpretações. A comunicação entre as pessoas é um intenso processo sígnico repleto de percepções e interpretações individuais de ambas as partes. A comunicação nos permite estabelecer alguma harmonia entre os "mundos" dos que se comunicam. Lembremos que o isolamento nos enlouquece, porque nos é impossível encontrar harmonia sozinhos. Precisamos dessa base de entendimento comum, compartilhado.

 

O que nos leva a estabelecer este equilíbrio é a aceitação de algumas interpretações comuns que passam a ser referencial coletivo. A partir dessas interpretações comuns, começamos a entender o mundo segundo alguns pontos de vistas coletivamente aceitos e que nos permitem manter uma convivência equilibrada e harmônica com os demais. Esse conjunto de interpretações compartilhadas com os demais e aceitas por todos é o que podemos chamar de realidade.

 

A realidade nada mais é que uma interpretação do mundo (pois tudo o que temos dele são interpretações dos sinais que ele nos oferece) que compartilhamos e aceitamos conjuntamente, coletivamente. A partir dessa harmonização, estabelecemos nossa conduta e nossa forma de entender o mundo. Alterar essa interpretação coletiva, compartilhada e aceita, significa romper paradigmas e estabelecer um novo patamar de concordância sobre como devemos entender o mundo. Ou seja, significa internalizar experiências com base nas vivência de outros e passadas a nós através da comunicação, ou seja, através de signos. Trata-se de um processo puramente semiótico. A construção desse conhecimento é um processo puramente semiótico.

 

Enfim, o que chamamos de realidade nada mais é que uma construção de um entendimento coletivo. E isso nos coloca numa condição de igualdade e dependência mútua que pode mudar nossa forma de entender o mundo.

 

 

Rompemos paradigmas quando entendemos que o que chamamos de "meu mundo" talvez tenha mais dos outros do que de nós mesmos.

 

Abraços

Please reload

Featured Posts

Desenvolvimento humano elevado a função organizacional

October 14, 2019

1/10
Please reload

Recent Posts