© Copyright  2018 por Renê Ruggeri Engenharia e Consultoria Ltda. Desenvolvido por Navii Inteligência Digital

A essência de um empreendimento pode vir de uma flor

May 22, 2015

Todos podem ver em meu perfil no site (www.reneruggeri.com) que sou engenheiro e ganho a vida sobretudo com engenharia. O fascínio pelo complexo já me aguçava desde moço (não que eu esteja tão velho assim) e o complexo é vizinho da imprevisibilidade, razão pela qual sempre fui afeito aos desafios intelectuais e profissionais. Não me refiro a joguinhos e charadas, porque estes são exercícios e não desafios. Os desafios se caracterizam pela produção de um resultado, quase sempre tão complexo quanto o processo necessário para obtê-lo.

 

Mas desde criança sempre fui também expectador da arte. Não me sinto conhecedor do tema para emitir críticas, mas obviamente tenho minhas preferências estéticas. Entretanto, minhas preferências nunca me impediram de apreciar com bons olhos aquilo que não me agrada. A intenção está sempre além do sentimento imediato da percepção. A busca da compreensão pode ser tão prazerosa quanto a apreciação pura do que tem nossa predileção.

 

Meu ponto de vista leigo me permite colocar a arte no mesmo pacote que outras manifestações culturais, folclóricas, religiosas, etc. Minha percepção é de que todos eles têm algo em comum: são manifestações das profundezas da alma, da cultura ou do pensamento de uma pessoa ou grupo.

 

Mas volto ao início deste texto e pergunto: o que isso tem a ver com a engenharia que me ocupa grande parte da vida. A resposta: nada e tudo!

 

Nada porque são universos que se embarram tênue e esporadicamente. Mas tudo porque sou eu que estou ali, em ambos. Eu não me separo de mim mesmo, afinal, não é a toa que somos indivíduos. In-divíduos, não divisíveis.

 

Dada minha bagagem profissional em gestão de projetos (mais especificamente e experiência com gestão de projetos no terceiro setor), tive a grata oportunidade de conviver diversos pequenos períodos com músicos, artistas plásticos, educadores e profissionais de áreas ligadas à arte, patrimônio, cultura, turismo, história etc. Essa troca de experiências, pontos de vista, respeito e admiração pessoal e profissional é transformadora.

 

Raramente uma conversa com outro profissional de nossa área de atuação pode nos transformar como o contato com outros universos tão diferentes dos nossos. Sempre podemos nos desenvolver com nossos pares de profissão, produzir pequenas evoluções nos entendimentos, convicções, opiniões, etc. Mas raramente classificaríamos essas experiências como transformadoras.

 

 Ninféia Gigante, Foto: Maria Sonia Madureira de Pinho

 

Hoje, ao observar uma foto, tirada por uma arte-pedagoga, de uma linda flor que cresceu fora do seu habitat natural, a partir da iniciativa de um artista plástico que cultiva seu jardim, me lembrei de uma música gravada pelo saudoso Emílio Santiago que canto por dois dias sempre que a escuto eventualmente ("sem espinhos uma flor, que tem seu cheiro e o meu", Perfume Siamês). Some-se a isso meu atual envolvimento com discussões na área de turismo, projeto de engenharia para a área de saúde, estudos relativos às transformações nas práticas profissionais oriundas da realidade virtual acessível no dia a dia e a finalização do meu novo livro. Uma efervescência! Acabei por pensar numa coisa e resolvi registrar nesse pequeno texto.

 

Se almejamos o entendimento das coisas e queremos incorporar isso em nossa forma de viver e, ainda, se entendemos que nossa interação com o mundo se dá através das manifestações de cada um ou mesmo da natureza, somos, então, levados a buscar correlações mais profundas e gerais entre as manifestações. A luz do conhecimento brilha mais forte na profundidade desses entendimentos. Está aí a complexidade! E o caminho, mesmo que pouco estruturado cientificamente, que chega mais perto de tocá-la consistentemente é a arte. Podemos não conseguir exprimi-la, mas através da arte é possível percebê-la.

 

Meu conselho, se é que me credencio para tal: invistam tempo apreciando a arte em qualquer das suas formas. Alguns podem achar meio "viagem", como se diria na gíria. Mas se não formos capazes de viajar na arte dos outros, nunca seremos capazes de fazer arte em nosso próprio campo de ação. Ou seja, nunca seremos capazes de ir a fundo naquilo que ocupa a maior parte do nosso tempo e intelecto.

 

Agora posso tomar um café e voltar pra planilha de custos de um trabalho. E vou olhá-la com outros olhos, revigorados pela flor que, graças ao artista que a desafiou e à fotógrafa que a mostrou, revelou que sua essência está além do seu habitat. E fico pensando, qual a essência do empreendimento a que estou me dedicando no momento?

 

Vc, meu colega, saberia dizer, nem que por exercício, qual a essência do seu empreendimento?

 

Abraços

Please reload

Featured Posts

Desenvolvimento humano elevado a função organizacional

October 14, 2019

1/10
Please reload

Recent Posts