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O que não sabe que não sabe

May 2, 2015

O título deste post pode parecer um trocadilho, mas na realidade é uma questão bastante séria. Você verá por que!

 

Já parou pra pensar em tudo que vc sabe? Todo o conhecimento adquirido nas escolas, em casa, na rua, com amigos e até na igreja... Não apenas aquele conhecimento formal, mas as habilidades que vc desenvolveu com base na sua experiência de vida. Junte tudo o que vc conhece, tudo o que vc sabe fazer, tudo o que vc já ouviu falar... Certamente é muita coisa! Por mais que vc se considere pouco desenvolvido, ainda assim, se vc parar para pensar, verá que sabe muita coisa.

 

Mas vc também tem consciência de muita coisa que vc não sabe. São temas que vc ouve falar, assuntos dos quais vc já viu alguma coisa, mas que no conjunto não lhe dão segurança para dar alguma opinião consistente. Por exemplo, todos sabemos que existem teorias avançadas sobre a origem e o destino do universo, mas poucos são os que se habilitam a discutir tal assunto seriamente. Pense em todos os temas que vc sabe que existem, mas não se considera apto ou competente para lidar com eles. Certamente também é muita coisa!

 

Agora lhe pergunto, se juntar tudo o que vc sabe com tudo o que vc tem consicência que não sabe, teremos o conjunto completo de tudo o que há para saber? Pense bem...

 

Provavelmente vc estará tentado a dizer que não, há muita coisa ainda além desses dois conjuntos de conhecimentos. Se vc tende a responder que sim, que a união dos conjuntos resultará em tudo o que há para se saber, então das duas uma: ou vc é uma sumidade, ou vc não tem consciência da sua ignorância. Esta é a situação em que vc não sabe que não sabe! Mas ela ocorre camufladas em muitas situações e, as vezes no dia a dia, nem percebemos nossa ignorância.

 

 

 

Focalize agora num tema que vc domina! Um bom cabeleireiro certamente conhece muito de cabelos e produtos para o cabelo. Um físico ou engenheiro nuclear talvez domine os conceitos para a construção de um acelerador de partículas. Um publicitário domina as questões relativas ao comportamento do mercado ou dos consumidores. E vc? Certamente há um tema que vc domine bem (para sua idade, sua vivência, suas possibilidades). Vc saberia dizer até quanto vc conhece desse assunto? Vc conhece menos de 50% do que há sobre ele ou mais de 50%? Vc acha que beira os 100% de conhecimento sobre esse seu tema? Ou vc acha que por mais que vc conheça, não passa de uns 20%? Vc consegue ter essa consciência sobre um tema do seu domínio? É bem provável que não... Vc não consegue afirmar categoricamente quanto do todo representa seu conhecimento sobre o tal tema.

 

E sobre os demais temas que vc conhece razoavelmente? Até onde vc admite saber sobre isso? Metade, um terço, uma pequena parte, quase nada?

 

Perceba que mesmo pensando apenas nos dois conjuntos iniciais (o que vc sabe e o que vc tem consciência que não sabe), se vc for rigoroso na sua análise vai acabar concluindo que vc não tem exatamente consciência de até onde vc sabe ou não das coisas. Provavelmente vc não consiga ter essa consciência nem mesmo nos temas que vc domina relativamente bem.

 

Ou seja, é fato incontestável que vivemos todos administrando nossa ignorância. E é bem provável que ao fazer isso, nas questões mais cotidianas, não tenhamos por costume pensar na possibilidade de existir algo que nem sequer cogitemos. É difícil pensar considerando o fato de que não temos consciência de nossa ignorância. Mas é relativamente fácil concluir que provavelmente nossa ignorância sempre será maior que nosso conhecimento.

 

Há um ditado, salvo engano oriental, que diz "o sábio sabe o que ignora". Ou seja, para ser sábio não é preciso ter todo o conhecimento, mas é fundamental que vc tenha consciência da ignorância. Até mesmo nos temas que vc domina, é importante que vc tenha segurança sobre até onde vai o seu conhecimento. Para ter essa segurança, é preciso que vc tome consciência da ignorância. Ter essa consciência significa tão somente admitir a existência de coisas que estão além da sua capacidade atual.

 

Admitir que exista algo que eu não saiba que existe é um bom começo para mudar a forma de ver e ouvir o mundo, a forma de senti-lo e de me comunicar com ele. Quando algo parece sem nexo, pode ser nós que não fomos capazes de entender, mas pode ser sem nexo mesmo...rs... Sempre podemos estar certos ou errados.

 

Em nome de nosso domínio sobre certos assuntos ou situações, muitas vezes somos levados a tomar decisões com segurança, até que acontece algo inesperado causado por uma ocorrência que nem imaginávamos ser possível. Erramos! Aí então tendemos a dizer que isso era imprevisível. Ora, nós é que não fomos capazes de prever e nos antecipar ao evento que certamente deu indícios anteriores. Não soubemos avaliar nossa ignorância porque sequer fomos capazes de perceber os indícios. Não fomos observadores respeitosos do mundo. Nosso conhecimento do assunto ou situação nos induziu a sermos prepotentes, arrogantes com nós mesmos. Desdenhamos da ignorância que faz tanto parte de nós quanto nosso conhecimento. A ignorância não é um vazio, ela está lá. Só precisamos aprender a viver com essa consciência. Quando decidimos não apenas com base no que sabemos, nossas decisões carregam também nossa ignorância. Quantas vezes decidimos equivocadamente por não termos a capacidade de melhor análise? E quantas vezes fazemos isso (achando que estamos corretos) sem ter a consciência de nossa incapacidade?

 

Sem apelo a religiosidade, mas como recursos de expressão de ideias, recorro à seguinte alegoria: se fomos feitos à semelhança de Deus, em teoria, temos a capacidade da onisciência. Mas não temos a menor noção de quão diminuta é a parcela que usamos dessa capacidade. Milhões de neurônios cujas combinações e arranjos são quase infinitos. Usamos uma pequena parte enquanto a grande massa de capacidade descansa de não fazer nada...rs...

 

E para piorar costumamos admitir que a diminuta parte do outro é ainda menor que a nossa, como se isso nos engrandecesse. De tão grandiosos, esquecemos de lembrar que não sabemos que não sabemos e vivemos descansando os neurônios que nos fariam concluir que a sabedoria é humilde.

 

Abraços

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