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Layers (camadas) e o paradigma da computação gráfica em Projetos AEC

April 21, 2015

Hoje resolvi resgatar um texto antigo que desenvolvi no início da minha carreira. Cheguei a disponibilizar esse texto num site especializado em Computação Gráfica de um pessoal que considero referência nacional na área (www.cadklein.com). O texto batizado por SOIP - Sistema de Organização de Informações de Projetos - está hoje meio ultrapassado, mas sua essência teórica continua válida. Decidi compartilhar alguns tópicos em algumas postagens. Alguns trechos são transcrições do texto original e estarão entre aspas. Como são textos meus, me abstive de fazer as referências.

 

"A princípio utilizada como ferramenta auxiliar, a abrangência da computação e dos recursos de informática logo cresceu e impôs nova realidade ao desenvolvimento de trabalhos especializados. No tocante à computação gráfica, com os programas CAD, CAM e CAE, talvez o maior paradigma evolutivo tenha sido a perspectiva da virtualização de empreendimentos. Com base neste paradigma foram desenvolvidos diversos aplicativos, reformulados programas que antes serviam apenas como ferramentas de desenho, etc. Enfim, todo o universo da computação gráfica aplicada à engenharia e arquitetura foi reconstituído rumo a esta possibilidade de criação de uma realidade virtual para empreendimentos."

 

"Obviamente a caracterização de uma realidade virtual tão próxima quanto possível da verdade é um patamar difícil de ser atingido, mas todos os caminhos têm levado a esse fim ou ao menos o têm considerado". Observemos os softwares atuais, novos ou versões atuais de softwares tradicionais, com sua estrutura de uso assumidamente baseada em objetos tridimensionais. Softwares que "manipulam" objetos complexos e não apenas elementos geométricos (linhas, superfícies ou sólidos). A virtualização, mais do que nunca, está presente na forma de criar e usar os softwares modernos.

 

Os softwares BIM (Building Information Modeling) são um passo a mais e consideram não apenas a visão geométrica tridimensional dos elementos como atribuem-lhes propriedades e informações adicionais que permitem a análise de situações e tomada de decisões antes somente possíveis com base na capacidade de abstração e visão espacial de profissionais experientes. Ou seja, além da virtualização espacial (baseada num espaço puramente geométrico), começamos a virtualizar informações num espaço informacional. Há muito que fazer ainda, mas o avanço chega a ser assustador para quem teve o prazer de vê-lo acontecer.

 

O recurso de camadas de representação, "layers" na terminologia do AutoCAD (software de domínio obrigatório para projetistas em diversas áreas atualmente) tem espaço para progredir e amadurecer, mas mantém sua essência. De uma forma ou de outra, os "níveis" de informação que se superpõem para formar a mensagem final (uma representação geométrica ou informacional) são necessários. Na realidade esse recurso parece traduzir de alguma forma as bases de nossa cognição e a ideia do BIM tenta virtualizar algumas das sinapses destes níveis ou campos de informação. Mas isso é ainda uma conversa difícil...

 

 

Por ora nos contentamos com o fato de que usamos "layers" ou camadas de representação, ou espaços de informação. E devemos entender como isto se relaciona ao paradigma fundamental da computação gráfica, a virtualização.

 

 

Mais que isso, devemos entender como usar esse recurso em prol de um sistema de trabalho que tire proveito dos avanços possíveis. Incorporar isso a um sistema de trabalho para desenvolvimento de Projetos AEC em equipes (porque não há atualmente trabalho desenvolvido solitariamente), implica em estabelecer metodologias capazes de se integrarem. Integração esta não apenas no processo de desenvolvimento do projeto, mas também no processo de implantação de empreendimentos. Por essa ponte não passa apenas um córrego, mas um grande e denso rio.

 

Isso requer padronização no uso destes recursos, como qualquer outro recurso tecnológico em qualquer área depende de padronização para se integrar a outros tantos recursos disponíveis no mercado. Sem padrões não teríamos, por exemplo, possibilidade de trocar lâmpadas nas nossas luminárias ou emprestar CDs a um amigo. Toda e qualquer intercambialidade é baseada em padrões e na área tecnológica isso transparece com uma ênfase inquestionável.

 

Mas, talvez mais que padrões, a virtualização requer a integração de todas as informações relativas ao empreendimento, produzidas por diversas equipes de trabalho em diversas especialidades. Afinal, a realidade é complexa e virtualizá-la certamente não pode ser trivial. Ou seja, não se trata de uma padronização meramente burocrática visando uma intercambialidade. Estamos diante de uma demanda de sistematização de trabalhos, de estabelecimento de metodologias, de possibilidade de relacionamentos e integrações múltiplas de informações. Antes de propor alguma inteligência artificial aos softwares precisamos incorporar inteligência humana aos processos de trabalho e seus consequentes aspectos, entre os quais a padronização.

 

"Tratar de padronização, metodização ou questões correlatas em computação aplicada à engenharia e arquitetura sem considerar este paradigma em sua essência e profundidade seria, então, andar contra o direcionamento dado à evolução. Por isso, o sistema de organização de layers (camadas de desenho ou de informação) deve ser formulado considerando sobremaneira esta realidade, bem como outros condicionantes de diferentes ordens que se fazem necessários numa empreitada desta natureza."

 

Por enquanto propomos aos leitores a seguinte reflexão: como vc considera o paradigma da virtualização na sua forma cotidiana de usar computação gráfica? Como vc relaciona os procedimentos de uso da computação gráfica com a metodologia de desenvolvimento dos Projetos AEC e de integração de equipes e informações?

 

Abraços

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