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O orçamentista na equipe do projeto

April 7, 2015

 

Todos dizem que as soluções de engenharia devem ser pautadas pela economicidade, ou seja, devem-se procurar soluções que garantam a melhor utilização dos recursos. Mas será que todos os profissionais ou empresas de projetos de Arquitetura e Engenharia analisam realmente as soluções sob esta ótica para balizar as decisões de projeto?

 

Essa é uma dúvida que me coloco inúmeras vezes quando estou analisando planilhas de custos em cada etapa do desenvolvimento dos projetos. Como qualquer outro documento que compõe o projeto, a planilha de custos em cada etapa é uma peça de comunicação e, como diz o ditado, “quem opina sobre alguma coisa, normalmente diz mais sobre si mesmo”. E as planilhas trazem subliminarmente a visão que o orçamentista criou sobre o empreendimento, Mais que isso, elas trazem nas entrelinhas a visão que o orçamentista tem com relação à utilização da planilha no contexto do projeto, ou até a atitude do profissional quanto ao empreendimento.

 

A previsão de custos de uma obra (ou de um empreendimento, para sermos mais abrangentes) está intimamente associada ao planejamento dela. Portanto, possui relação estreita com a metodologia construtiva, o prazo de execução, as especificações diversas, o local de implantação, etc. Todos os aspectos pertinentes ao planejamento da implantação do empreendimento refletem de alguma forma na planilha de custos do projeto.

 

É por esse motivo que é fundamental que cada equipe de projeto deva contar com um profissional dessa área de especialização. Conhecido normalmente como o “orçamentista”, esse profissional, na realidade, possui funções que vão muito além de simplesmente atribuir custos a cada item da planilha de serviços da obra. Se as decisões de projeto devem ser balizadas pela economicidade, cabe ao profissional de custos munir a equipe de informações a esse respeito para que as melhores decisões sejam tomadas. É claro que há diversos outros fatores que influenciam as decisões, mas destacamos aqui a influência dos custos.

 

Informações sobre custos não contemplam meramente os dados de custos unitários para cada serviço, mas vão bem além disso. Em cada etapa do desenvolvimento de projetos, as informações sobre custos possuem diretrizes diferenciadas e devem ser orientadas pelos objetivos das análises a serem feitas.

 

 

 

Durante as concepções mais iniciais de um empreendimento (que, a rigor, é um negócio), as informações de custos visam balizar as análises financeiras globais do empreendimento. Precisão de valores nessa etapa raramente mudam as conclusões das análises e consequentemente as decisões tomadas. Nesta etapa o importante é garantir que o investimento que se pensa fazer trará resultados satisfatórios dentro dos graus de exigência que cada situação impõe. Aqui, mais importante que saber quanto a obra vai custar é comparar esse custo com o retorno que ela trará e, além disso, avaliar o grau de garantia  de sucesso financeiro (margens de desvios das análises). Naturalmente há imprecisões nas estimativas de custos e de retornos. A questão é saber se as incertezas variam dentro de uma faixa que mantém o empreendimento como um bom negócio do ponto de vista financeiro e/ou econômico.

 

Avançando para a etapa de Estudos, mesmo sendo essa uma fase ainda preliminar, o que se busca é eliminar as incertezas ao ponto que se possa garantir a viabilidade financeira do empreendimento e, mais que isso, garantir a faixa de retorno que ele proporcionará. Para isso, as alternativas são estudadas e para cada uma é feita um aprimoramento das previsões e das análises de investimento. As margens de erro são reduzidas a patamares que minimizam os riscos já identificados.

 

 

Com a conclusão dos dimensionamentos e a definição das especificações de itens significativos (pela quantidade ou pelo custo individual), ou seja, já no Anteprojeto, as definições de custo das etapas de concepção são concluídas e, a partir desse ponto, pode-se afirmar com dose satisfatória de precisão e certeza a ordem de grandeza do custo global do empreendimento e do retorno que trará. Obviamente, isso implica num grau de definição equivalente para prazos de execução, qualidade requerida, etc. Mas não estamos tratando destes aspectos nesse momento.

 

Uma vez confirmada a análise financeira do empreendimento, pode-se focar o seu futuro de forma objetiva e, então, o profissional de custos passa a direcionar seus esforços para a contratação da obra. Ou seja, após o Anteprojeto (etapa em que a obra resta consolidada em termos de concepção), o Profissional de Custos tem por função garantir que os custos previstos mantenham-se coerentes com os reais valores de mercado esperados. Estes valores finais somente serão fornecidos pelo construtor, no momento em que for contratado.

 

A partir desse ponto percebe-se uma alteração no perfil da atuação do profissional de custos. Se a princípio tinha por função o apoio à concepção, doravante terá a função de apoiar as aquisições da própria obra, de equipamentos, materiais, de serviços, etc. E esse apoio não se resume a definir valores previstos, mas também em avaliar os impactos que as variações provocarão no resultado do empreendimento. Ou seja, o profissional de custos é fundamental na construção e no controle do cenário financeiro/econômico do empreendimento e, consequentemente, na sua viabilidade.

 

É importante perceber a importância desse profissional na equipe do projeto e do apoio que ele deve dar durante todo o desenvolvimento dos projetos de Arquitetura e Engenharia. Da mesma forma, é importante que os profissionais dessa área entendam sua função fundamental para o sucesso dos empreendimentos e se posicionem segundo ela. Sem essa mudança de atitude, continuaremos constatando planilhas de custos construídas pela simples colocação de preços "padrão de mercado" numa lista de serviços. Ora, se lista de serviços depende do planejamento da implantação do empreendimento e cada empreendimento tem suas peculiaridades, é razoável pensar que os preços dos serviços (se não todos, pelo menos alguns) precisam de realinhamento.

 

O profissional de custo deve se lembrar de que o que simplesmente chamamos de "Planilha de Custos" é na realidade a "Planilha de Custos Previstos para a Implantação Especificamente do Empreendimento XYZ nas Condições de Implantação Previstas ou Planejadas". Cabe a ele demonstrar e defender isso, caso contrário, qualquer desvio poderá ser considerado um erro de orçamento.

 

Abraços

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