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Como virei profissional em projetos

March 30, 2015

Minha relação com os projetos começou há pelo menos 30 anos, quando, ainda criança (11 anos), tomei a decisão de ser projetista (me lembro do dia claramente). O caminho natural para um filho de engenheiro era partir para a engenharia, mas a rebeldia do adolescente direcionava para a arquitetura. Ingressei no curso técnico de Edificações aos 14 anos (era um bom início para ambas as áreas). Nesta época já tinha ganhado minha prancheta profissional, materiais de desenho de boa qualidade e ajudava meu pai no desenvolvimento dos projetos de nossa casa e às vezes de alguns parentes. Aos 16 anos mais ou menos, desenvolver projetos de casas era meu hobby preferido. Eu mesmo me encarregava de complicar o ponto de partida a cada novo projeto. Sem desafio, não tinha graça...

 

Ainda criança já me interessava em procurar contextos em qualquer tema, adorava ler biografias. Eu sempre queria saber como foi a vida dos grandes nomes da história, com especial atenção aos cientistas e pensadores. Entender o que fora produzido ou pensado não era o mais instigante, eu queria entender as circunstâncias que levaram a isso. O contexto, a visão global e sistêmica, os bastidores, as entrelinhas, etc. me inspiravam mais que as grandes teorias. Por exemplo, compreender as três leis de Newton me instigaram muito menos que descobrir que ele fora um alquimista e tinha um trabalho burocrático na Casa da Moeda, ou ainda, perceber que os textos de Voltaire tinham outro peso quando percebíamos o embate quase que pessoal dele com governantes e pensadores da época (ele é simultaneamente admirável e insuportável...rs...).

 

Veio o momento de entrar para a faculdade. Fiz meus planos, meu pai, os dele e então minha mãe decidiu, afinal as mulheres sempre mandam...rs... Estudei Engenharia Civil na mesma cidade onde morávamos, Ouro Preto - MG. Pra lá da metade do curso, minha rebeldia e minha vontade de extrapolar os limites da visão restrita da engenharia me fizeram decidir trocar de curso. O diálogo com os professores de engenharia, salvo algumas importantes exceções, era enfadonho, desestimulante, superficial, agressivo (intelectualmente). Decidi fugir para a Arquitetura. Meu pai articulou com alguns professores um plano para me manter no curso (o que só vim a saber muitos anos depois...rs...). E deu certo, ainda bem! Um grande mestre me envolveu em projetos internos na faculdade e me ocupou com aquilo que me estimulava, Projetos de Engenharia. Me deu a oportunidade de humanizar a engenharia, de buscar o contexto, a visão sistêmica, de extrapolar os limites do "simplesmente conhecer" e explorar a compreensão mais abrangente. Me estimulou a misturar o social, o histórico, o biológico com a engenharia. Entre um café e outro, um almoço e outro e certamente com muita paciência, rompeu para mim os limites que outros professores nos impunham como aprendizes de conhecimentos estanques. Não reclamo evidentemente do conteúdo das disciplinas, mas sim das limitações de algumas discussões e argumentações.

 

A abrangência que me foi permitida me deixou sem rumo, ou melhor, com muitos rumos. Eu tinha tantos horizontes que me mostravam tantas possibilidades que eu não saberia em que direção seguir. Eu era um barco em alto mar, sem um rumo a tomar. O que ocorreu foi mais ou menos natural: não naveguei sobre as águas, resolvi voar. Pouco tempo depois de formado eu já era coordenador de projetos no escritório que meu grande mestre colocou à disposição, o seu próprio. Iniciei nos sistemas prediais, pulei para as estruturas, arquitetura (na realidade era um retorno) e comecei a desbravar outras áreas de especialização. Estava decidida minha especialização: liderar equipes de especialistas.

 

Pouco tempo depois, o mestre a que meu pai me conduziu, deu-me a lição libertadora. Vendo meu nervosismo e reclamações sobre não conseguir fazer com que os colegas acompanhassem as concepções multidisciplinares, a lição veio em poucas palavras: "estando muito à frente ou muito atrás, você estará sozinho do mesmo jeito". Pra quem teve um grande mestre isso bastava. Decidi ensinar o que eu já sabia ou o que eu aprendesse. Não se tratava simplesmente de dar cursos, pois isso eu já fazia desde a época de estudante, nas mais diversas áreas da engenharia predial e posteriormente da gestão de projetos, mas de uma mudança de atitude. Mesmo mantendo foco na produção dos projetos de engenharia, minha atitude passou a ser de consultor. Passei a olhar os novos colegas como pessoas a quem eu deveria ajudar e não simplesmente cobrar. Acho que eu nem tinha 30 anos de idade nessa época.

 

Durante esse trajeto, a primeira especialização em Gestão de Empresas, em 1997, veio como uma forma de saciar minha necessidade de extrapolar os limites da engenharia. Havia uma necessidade real e prática por este tipo de conhecimento, mas o instigante era a exploração de um novo universo do qual eu tinha conhecimentos, mas no qual eu ainda não tinha mergulhado. Lembro-me do professor me cobrando por ser o único aluno que ainda não tinha entregado o trabalho e, posteriormente, me devolvendo o trabalho com a seguinte análise: "não pude analisar como professor, o nível do trabalho já é de consultoria".

 

Um dia, nas minhas pesquisas quase que diárias, me deparei com uma citação ao Project Management Institute - PMI. Desse dia para a matrícula no primeiro curso de Gestão de Projetos em 2002 foi muito pouco tempo. Como previu um professor, fui infectado pelo vírus gerentococus projectus e não sou capaz de abandonar essa postura atualmente.

 

Em 2006, já com mais de 10 anos desenvolvendo projetos de engenharia predial e ministrando cursos em áreas técnicas da engenharia e em gestão de projetos, fui convidado a assumir a Diretoria de Projetos de uma fundação de apoio a uma universidade. Seria meu primeiro emprego formal com carteira assinada...rs... Aceitei não pelo emprego (o salário nem era atraente), mas pelo desafio. A ideia de ter um chefe não me agradava, mas me deram carta branca, então eu aceitei. Eu tiraria férias da engenharia e mergulharia no desafio de gerir projetos em áreas relativamente desconhecidas.

 

Foram quase três anos de trabalho de formação de equipes e de estruturação de sistemas de trabalho. Começamos do zero (eu dividia uma sala com outro colega) e, quando deixei a fundação, tínhamos um setor com mais de 20 pessoas, funcionando num prédio exclusivo, profissionais pós-graduados em gestão de projetos e, sobretudo, uma equipe altamente comprometida. Descobri neste período a carência do Terceiro Setor com relação ao profissionalismo em gestão e reforcei minha habilidade de formar equipes.

 

Deixei a fundação no final de 2008 e ingressei no MBA em Gestão de Projetos (uma pausa depois daquele período de trabalho intenso). Continuei dando consultoria em projetos no Terceiro Setor em parceria com profissionais que conheci durante o tempo na fundação. A própria fundação foi minha cliente. Conclui este período lançando meu livro sobre Gerenciamento de Projetos no Terceiro Setor em 2011 e um blog sobre esse assunto (cujo conteúdo está em parte importado para este atual blog).

 

Em 2010 me casei (conheci minha esposa numa das consultorias que dei para um projeto cultural).

 

Em 2011 voltei ao mercado de engenharia, mas queria novos desafios (na realidade mantive em 2010 apenas a coordenação dos projetos de sistemas prediais de um empreendimento cujo objetivo era transformar um antigo hospital em um centro cultural). Decidi colocar meu currículo no mercado na expectativa de aparecer alguma oportunidade interessante. Fui chamado para uma empresa de pequeno porte que gerencia implantações de shopping centers, supermercados, etc. Fiquei pouquíssimo tempo, mas o suficiente para perceber que havia muito pra ser feito dentro das empresas.

 

Logo depois fui chamado para coordenar o desenvolvimento de projetos de engenharia para uma grande empresa industrial em uma das suas unidades no Brasil. O ramo era um pouco fora da minha atuação, mas o desafio era instigante. E uma característica era diferente para mim: eu teria chefes, situação que jamais eu tinha vivenciado até então. Era uma experiência necessária para meu desenvolvimento.

 

2014 chegou e com ele várias mudanças no mercado. Crise política e econômica no país. Momento ideal para repensar e reposicionar. Frente a uma posisbilidade de transferência para algum local que não me agradasse, decidi retomar minha carreira como consultor e aqui estamos. Novos desafios e um novo plano de vôo, mas ainda as mesmas referências e paixões.

 

Retomar um blog em 2014, expandindo os temas a serem tratados e passar a usar uma marca associada ao meu nome, é um novo desafio pessoal e parte de um plano de desenvolvimento profissional. Espero conseguir me empenhar para fazer valer a pena...

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Tags VIP, Projetos AEC, Engenharia

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