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Sonhe sim, mas construção é um processo real

Muitas pessoas possuem o sonho de ter um imóvel construído especialmente para sua família ou seu negócio. Arquitetos e Engenheiros costumam, inclusive, usar o jargão “construir o seu sonho” alegando ser essa sua missão profissional.


Mas construções são executadas na dura realidade da vida. Podem até ser inspiradas em sonhos, mas abordá-las com profissionalismo exige os pés no chão. E pés no chão significa clareza, dados, informações, técnicas e métodos adequados, ainda que isso conduza à constatação de que o que é sonhado não é factível (na íntegra, ou em parte).



É preciso entender que os sonhos estão normalmente em linguagem simbólica e raramente possuem detalhes necessários à realidade. Esse detalhamento nos tira da zona de conforto que é o sonho, porque exige esforço e traz preocupações que não estão contempladas no sonho.


Quando se trata de construção, o melhor é sonhar acordado, ou seja, pode-se divagar um pouco, mas não à vontade. A menos que sua realidade seja, de fato, um sonho.


Me lembro de um slide que usei algumas vezes em cursos de MBA onde ministrei aulas. Ele trazia uma série de fotos de construções inacabadas de casas e edifícios comerciais. Todos eram sonhos que viraram pesadelos para seus proprietários.


Pense bem, quando você pensa em construir, normalmente tem um sonho e algum recursos financeiro. Sem os pés no chão, você tenderá a projetar aquilo que corrobora o seu sonho e negligenciar qualquer coisa que posso ir contra ele (isso inclui uma boa planilha orçamentária). Vai ouvir os profissionais que lhe prometerem a realização do sonho e negligenciar os que lhe mostram a a realidade. Vai se encantar com imagens do sonho e se chatear com os números da realidade.


Não caia no conto da sereia. Sonhos se chamam sonhos, porque são sonhos. Realidade é outra coisa, que pode ou não se aproximar deles.


“Realizar sonhos” é um jargão interessante para o marketing, mas um objetivo quase irresponsável para a realidade.


Mas isso não quer dizer que não se deva sonhar, nem que os sonhos não podem se realizar. É dos sonhos que vêm as inspirações e as atitudes. É com os sonhos que definimos como valorar as soluções de uma boa construção. É com base nos sonhos que definimos importantes critérios de decisão, por mais que a realidade nos coloque outros igualmente importantes. Eventualmente nossos sonhos são mais fáceis de realizar do que pensamos, ainda que esse não seja o caso mais comum.


Tendemos a pensar que uma construção é um espaço acabado, mas não é assim. Uma construção é um processo longo, oneroso, estressante e extremamente complexo. Não se engane com visões simplistas dela.


Como processo, ela exige gestão e, dada a sua complexidade, não falamos de uma gestão elementar. Desde os processos de concepção dos Projetos de Arquitetura e Engenharia, passando pelo planejamento dos Processos Construtivos, Custos, Prazos e chegando à execução das Aquisições de mão de obra, materiais, equipamentos e a efetiva construção com técnicas e métodos que garantam qualidade aos resultados, uma construção é um processo que pode facilmente sucumbir ao caos na massa de informações manipuladas.


Atenção ao erro mais comum no mercado atualmente: tratar a construção como uma sequência simples de ações e resultados. Esta é uma visão que remonta ao início do século XX, embora seja ainda comum, mas a realidade atual é bem diferente.


O processo de construção adequado atualmente é bem mais integrado e não admite uma abordagem meramente sequencial. Técnicas construtivas e materiais contemporâneos trazem vantagens e exigem processos mais refinados de concepção, análise e construção, sem os quais perdem sua viabilidade técnica, e/ou econômica. Boa parte deles não são meros lançamentos de novas linhas de produtos, mas inserção de novas técnicas de trabalho que condicionam toda a construção.


Isso quer dizer que os projetos não podem ser meras imagens, pois devem incorporar a realidade que as técnicas construtivas exigem. E a tecnologia atual nos permite harmonizar todos os elementos construtivos em soluções técnicas que os integrem.


O desenvolvimento nos coloca cada vez mais capazes de realizar os sonhos, mas não sem os condicionantes típicos de cada um, expressos na forma de custos, prazos, riscos e complexos processos.


É possível construir como antes? Sim, claro, é possível até empilhar pedras como já se fez há milhares de anos. Mas normalmente a imagem dos sonhos não corresponde a isso.


É preciso reaprender a sonhar.


Sonhe sim, mas com um processo e não apenas com um resultado. Encontre profissionais que entendam a complexidade dos processos para transformar sua realidade, até porque eles saberão se a transformação pretendida é viável.

Não se impressione com imagens bonitas, o processo não é tão belo, mas é necessário e é real.


Se você tiver o apoio certo, poderá fazer do processo um sonho a ser curtido, ainda que a realidade dele seja dura, crua e objetiva. A incerteza não implica em não haver cominho claro para a construção, mas em não o encontrar. Não inicie a jornada sem um guia, sem orientação.


Você tem um sonho de uma construção para sua família ou seu negócio? Sonhe à vontade, mas encontre alguém que lhe mostre a realidade, pois é nela que a construção precisa acontecer. E tenha certeza, o processo real não é um sonho e sonhos não viram realidade, a menos que sejam transformados em planos reais, concretos, objetivos, cheios de dados e informações e baseados em técnica e método que reflitam a complexidade do processo de implantação de um empreendimento.


A alternativa é se iludir com o canto da sereia e trocar o sonho por pesadelos e noites sem dormir.


Planeje-se com base na realidade para ter a tranquilidade de poder sonhar.

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