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Os sócios: Parte 2 – o que fazem?

Atualizado: 7 de mai.

Sócios são etimologicamente os que seguem juntos numa caminhada. Assim, qualquer pessoa em uma empresa é, no rigor etimológico, um sócio. Deixa de ser quando se desagrega do grupo. Imagine as grandes migrações que assistimos nos filmes de épocas remotas, aquela multidão é composta por sócios. Aliás, o conjunto deles se chama sociedade. Mas é claro que nem todos têm as mesmas funções, há uma estrutura subjacente a esse grupo.



Há os que apenas caminham ajudando com a cargas. Parece pouco, mas as cargas são o que mantem o grupo caminhando. Nelas estão os suprimentos e as mercadorias trocada no caminho. São a base da subsistência e das relações (comerciais) com outros grupos. São os chamados colaboradores, pois co-laboram em benefício do grupo.


Essa classe, nas empresas contemporâneas, são os que executam as tarefas produtivas. Ou seja, são aqueles que efetivamente produzem o resultado da empresa (final ou intermediário). O resultado da empresa é o objetivo social, aquilo que justifica sua existência. Colaboradores, na essência, focam as tarefas do dia a dia que entregam o objetivo social continuamente à sociedade. Aliás, é o objetivo social que justifica a existência do próprio grupo. Sem um objetivo compartilhado, não há por que realizar a caminhada.


Mas há muitas influências, dificuldades e distrações no caminho da multidão, ou no caminho da empresa. Então, colaboradores precisam de alguém que os mantenha atentos à caminhada orientando-os nos ajustes de trajeto. Os “sócios” que recebem esta função são os gestores e nela permanecerão enquanto a caminhada trouxer frutos conforme a expectativa.


Gestores organizam os pequenos grupos, dão ritmo à caminhada, apoiam os colaboradores enquanto estes estão concentrados nas tarefas produtivas. Aliás, ajudam para que possam produzir os resultados com menor esforço. Sem os gestores, os colaboradores caminham apenas na força e produzem sempre o mesmo com o mesmo esforço. Não podemos esquecer que sem uma força organizadora, o grupo tende ao caos. Sem os gestores, os desvios tendem a se agravar até o ponto em que já não há mais caminho.


Gestores são bons na caminhada e competentes na articulação dos recursos disponíveis para ela. Mas não definem o caminho, apenas guiam os colaboradores nele.


A definição do caminho é feita pelos diretores, como o próprio nome diz. Conscientes do destino a que pretendem chegar (a empresa ou a multidão), os “sócios” diretores definem as direções, ou o caminho, a serem seguidas. Ocupam posições que lhes permita ver ao longe, mas perdem, nessa atuação, a visão de onde pisam. Não é à toa que os diretores, nos filmes que mostram multidões ou exércitos caminhando, estão normalmente a cavalo. É o cavalo que os leva, porque precisam olhar ao longe e não onde pisam. Foco no futuro e não no presente.


Por fim, chegamos aos sócios que até os dias de hoje são assim denominados. Os sócios são os que motivaram a própria caminhada. São aqueles que constroem uma visão de futuro e a passam a todos os demais, que os sequem por crerem nela. Os sócios nos filmes são representados pelos generais estrategistas, os governantes e figuras que inspiram e lideram as multidões ou exércitos.


Repare que este tipo de sócio pode estar em qualquer posição, basta ter a habilidade necessária que a função lhe exige. No exercício da função, difunde a visão entre os demais e constrói a cultura do grupo (cultura organizacional, nas empresas). Seu papel como sócio visionário tem importância singular onde quer que se encontre na estrutura do grupo. Este é o sócio que mantem o grupo efetivamente caminhando.


Contudo, um sócio colaborador, mesmo tendo a visão, não pode se ocupar dela, pois precisa produzir. Um sócio gestor precisa repassar a visão aos colaboradores, mas deve focar no trabalho de guiá-los. Sócios diretores estão mais próximos da criação e manutenção desta visão, mas sua ocupação é a definição do caminho e a articulação de recursos externos para segui-lo.


Um sócio, para se ocupar apenas da construção da visão que manterá o grupo unido, precisa encontrar diretores, gestores e colaboradores que saibam executar seu trabalho. Se a visão for inovadora, não haverá quem já saiba executá-la. Logo, sócios não podem deixar de cumprir com maestria as funções necessárias à sociedade (ou empresa), colocando seu conhecimento e habilidades à serviço de grupo. Mais que isso, mantendo a atitude de liderança e exemplo, esteja onde estiver.


As visões de futuro pelas quais os sócios lideram são apenas a motivação da caminhada. Já dizia Raul, “um sonho que se sonha só é só um sonho”. Sócios nessa função mobilizam as pessoas para caminhar. E isso é só o começo. No percurso os sócios devem manter a visão e a inspiração do grupo.

Mas o que o grupo (ou a empresa) fará quando atingir o destino? Pergunte aos sócios, afinal eles motivaram o início da jornada! Certamente sabem o que fazer no destino.


Os sócios, devem saber que ao chegarem no destino, o grupo deverá se reorganizar. A produção na aventura da caminhada não é a mesma produção da estabilidade no destino. Mas para chegar ao destino é preciso caminhar. Então os sócios precisam pensar tanto na aventura, quanto na estabilidade. São eles os responsáveis por estruturar os sistemas produtivos na transição e após a chegada. Aliás, como a chegada é uma visão dos sócios, a rigor, apenas eles podem reconhecer o destino quando for atingido. E devem fazer isso mantendo o grupo motivado para a caminhada, que é sempre árdua.


Usando terminologia empresarial, os sócios devem estabelecer os sistemas produtivos na transição, ou seja, enquanto a empresa se desenvolve, bem como devem estabelecer o sistema produtivo quando atingirem o ponto de maturação esperado da empresa.


Estabelecer o sistema produtivo significa definir processos, padrões, procedimentos, cultura, valores etc. simultaneamente amplos, abrangentes, específicos e detalhados. Devem fazer isso porque não são eles mesmos que executam as tarefas produtivas. Logo, devem estruturar os sistemas para que sejam compreendidos por seus diretores e gestores, bem como executados pelos colaboradores.


Obviamente, para sobreviver ao caminho, o grupo, ou a empresa, precisa dispor de recursos que os sócios, estrategicamente e quase sempre auxiliados pelos diretores, previram existirem no caminho.

Se algum colaborador tem dificuldades, recorre o gestor; esses, aos diretores e estes, por fim, aos sócios. Os sócios devem ter solução para tudo, afinal são donos da visão de futuro e os estrategistas do sistema de produção no caminho e no destino.


Sócios podem nascer da visão que criam ou podem surgir do próprio grupo quando se apropriam essencialmente da visão compartilhada.

Sócios criadores da visão, normalmente a percebem por que já possuem o preparo para estabelecê-la concretamente. Embora seja uma visão de futuro, eles sabem o que é essencial para atingi-la e sustentá-la. Ou seja, por mais que dependam do trabalho de colaboradores, gestores e diretores, os sócios têm, individualmente ou em conjunto, uma visão completa dos processos da caminhada. Por isso podem liderar sua estruturação e condução, ainda que não possam desempenhá-la sozinhos.


Os sócios que surgem a partir do grupo, ou seja, dentre os colaboradores, normalmente enfrentam um grande desafio: não foram preparados para serem sócios. Não criaram a visão, mas a assimilaram bem. Estão acostumados a olhar para a produção, mas sua atenção agora é requerida no sistema produtivo como um todo. Sempre olharam para onde pisam e agora são incitados a analisar antecipadamente onde todo o grupo irá pisar. Estão acostumados a produzir com um nível de qualidade e agora precisam estruturar procedimentos, padrões, visões, valores e princípios que garantam essa qualidade. Estão acostumados a serem inspirados e, agora, precisam inspirar.


Não é tarefa fácil. Produzir resultados depende de esforço, trabalho, ação. Mas produzir inspiração depende do que?


O prêmio dos sócios é poder se retirar da função na chegada e ainda assim merecer os ganhos do sistema produtivo que estruturaram. Mas para isso precisam planejar e construir um sistema robusto no caminho. A chegada só ocorre quando o sistema está completamente estruturado, pois, enquanto isso não ocorre, ainda há caminho a percorrer.


A chegada é boa quando não houver mais necessidade de caminhar. Ou seja, os sócios são eficazes quando se tornam desnecessários, pois a visão de futuro que era sua função no grupo é, neste momento, realidade.


É claro que a insatisfação característica do ser humano o faz criar novas visões a cada chegada e iniciar novas caminhadas. Mas a caminhada seguinte raramente justifica o abandono da anterior. É preciso atingir as chegadas para visualizar novos destinos.


O alerta é que nenhum grupo pode caminhar eternamente uma mesma jornada e, portanto, sócios que não estruturam sistemas no caminho, perdem a capacidade de convencer e inspirar o grupo, pois não há percepção de avanço a não ser um novo e longo caminho a cada passo.


A visão de futuro inspira o grupo a caminhar, mas é a robustez dos avanços no sistema produtivo que os mantém na caminhada. E o grupo sabe que isso não se confunde com a produção dos resultados, pois esta, eles mesmos fazem.

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