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Gestão de Empresas e Gestão de Projetos nos novos negócios

Qualquer cartilha sobre criação de novos negócios, ou mesmo abertura de filiais em negócios já existentes, alertará sobre a necessidade da formulação de um Plano de Negócios. Isso é bastante óbvio, pois iniciar uma nova operação sem um mínimo de planejamento não é empreender.



Assim, é bem comum que qualquer empreendedor de primeira viagem ou empresário experiente, providenciem o Plano de Negócios quando estão avaliando (planejando) a abertura de uma nova operação.

O raciocínio que norteia o desenvolvimento de um Plano de Negócio é basicamente o seguinte:


Quando o negócio estiver operando...

... as coisas funcionarão assim.


De fato, a essência do Plano de Negócio está focada na operação, ou seja, em como as coisas deverão ocorrer quando tudo estiver funcionando. Os processos serão de uma forma determinada, o marketing ocorrerá de certa maneira, as finanças (receitas e despesas) estão previstas com certo fluxo e, por fim, o lucro esperado é de tanto. Deve-se, inclusive, fazer uma série de análises complementares a fim de tomar as decisões sobre a operação: avaliar se a viabilidade financeira é adequada; verificar os riscos inerentes ao negócio (probabilidades de ocorrências e impactos gerados); sensibilidade a variações de mercado etc. Há muita coisa pertinente a um bom Plano de Negócios. Há muita coisa a avaliar e a importância de cada análise é mais fundamental em determinados nichos de mercado, o que permite que alguns negócios dispensem itens mais aqui ou ali.


Mas uma coisa é certa, a maioria absoluta destas análises e avaliações é desenvolvida com foco na operação no negócio, ou seja, considerando seu funcionamento contínuo. Trata-se de pensar a gestão de operação contínua com base no que se conhece da Gestão de Empresas (ou de Negócios).


Uma empresa é pensada para operar indefinidamente, salvo raríssimos casos de operação por tempo determinado (e ainda assim, são normalmente longos períodos). O conhecimento em Gestão de Empresas ou de Negócios está focado nesta realidade, a permanência e a continuidade.


Ainda assim, sabe-se que qualquer empresa precisa se adaptar continuamente, afinal o mercado se transforma. A demanda por adaptação ao mercado exige transformações frequentes nos negócios e cada uma delas é planejada visando um novo patamar de operação, exclusivo de uma organização. O foco na operação permanece com base na Gestão de Empresas, mas cada transformação é um processo que foge a esse padrão de operação e exige ações e resultados específicos que pautam o caminho da transição. Impactam, sem dúvida, a operação dos negócios, mas não é planejado como uma operação contínua, está noutra seara de conhecimentos: a Gestão de Projetos.


Aliás, a própria criação do negócio, uma nova operação, é a passagem de um estado de realidade inicial (em que ele não existe) para outro (em que ele opera regularmente). Ou seja, ainda que o negócio seja pensado como operação contínua com base na gestão de Empresas, sua implantação deve ser pensada como um processo de mudança, com base na Gestão de Projetos.


Há no mercado de educação organizacional, inclusive, conteúdos específicos sobre Gestão de Mudanças que bebem seu conteúdo na Gestão de Projetos restringindo-o a essa perspectiva e seu contexto, o que a enriquece de detalhes e aspectos pertinentes, mas retira-lhe a perspectiva mais abrangente. É claro que isso tem sua importância, valor e aplicabilidade no mercado.


Na Gestão de Projetos, a definição geral de Projeto é: “um esforço temporário empreendido para criar um resultado exclusivo”. O resultado exclusivo, na situação que estamos focando aqui, é a própria operação.


Assim como a Gestão de Empresas se estrutura em várias áreas de conhecimento, também a Gestão de Projetos se organiza com as suas. Não são as mesmas, embora haja similaridades em algumas delas. Aliás, ambas são áreas de conteúdo em Gestão, o que justifica similaridades, mas com objetos (fenômenos) de estudo distintos, o que evidencia as importantes diferenças.

Se a Gestão de Empresas orienta pela criação do Plano de Negócios, a Gestão de Projetos orienta pela criação do Plano de Implantação. Todo projeto possui um plano de projeto, que define como será o processo de transformação da realidade.



O raciocínio que norteia a criação do Plano de Implantação é:


Para que as coisas funcionem assim na operação...

...é preciso criar isso, dessa forma.


O plano é tão complexo quanto a transformação que cria. Se o resultado exclusivo pretendido é um novo produto, o plano de projeto orientará sua criação. Se o resultado exclusivo é uma nova capacidade organizacional (uma nova linha de produção, por exemplo), o plano orientará essa implantação e seu ajuste ao que já existe (afinal todo planejamento deve considerar o contexto).


Olhando para a definição geral de projeto, fica claro que todos temos alguma familiaridade com eles. Há exemplos simples e clássicos como organizar a festa de aniversário do seu filho (sem dúvida, um esforço temporário com um resultado exclusivo), ou fazer uma campanha de Natal na sua loja (também, temporária e que almeja resultados exclusivo). Os projetos simples exigem planos simples que aprendemos a fazer com a própria experiência de vida. Se num churrasco faltar cerveja, no próximo você já aprendeu a quantificar mais corretamente, a experiência é capaz de ensinar essas coisas simples.


Mas à medida que os projetos se tornam complexos, não é possível planejá-los e conduzi-los sem o uso de técnicas, ferramentas e conhecimento mais especializado, sob pena que deem errado e seja perdido o esforço (energia, dinheiro, recursos etc.) empreendido. Avalie, ainda que intuitivamente, qual risco seu negócio pode correr ao se aventurar em um projeto complexo. Se não há muito espaço para riscos, profissionalize a gestão do projeto. Reduzir o risco significa reduzir a probabilidade de ocorrência dos gatilhos e/ou o impacto que produzirá, se ocorrer. Um Gerente de Projeto profissional sabe muito bem como lidar com isso.


Aliás, um erro comum e eventualmente fatal é confundir a Gestão de Empresas com a Gestão de Projetos, afinal, intui-se que ambas são gestão e que operações contínuas não são tão diferentes de projetos. Mas, não apenas na gestão, como em qualquer área da realidade e da vida, há uma infinidade de casos que demonstram o quanto nossa intuição se equivoca.


Se seu negócio é uma operação contínua, alie-se com quem tem o desenvolvimento de projetos como negócio.


Assim, será viável uma gestão mais abrangente, completa e segura.

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