O(s) universo(s) da comunicação



O modelo Emissor/Receptor do processo de comunicação é simples e largamente conhecido em diversas áreas. Nesse modelo, um emissor cria uma mensagem, codifica-a para ser transmitida por um meio de comunicação (canal) e, na sequência, um receptor a recebe e decodifica para compreendê-la. A clássica figura a seguir mostrar o processo.


Este processo básico e simples, à medida que se aprofunda no seu estudo, incorpora uma série de outros elementos. Cada componente identificado na figura acima descortina um universo a ser conhecido.

Os componentes Emissor e Receptor costumamos, naturalmente, entender como indivíduos. Mas podem ser grupos de indivíduos e até mesmo animais ou máquinas. Sim, animais se comunicam e máquinas também. Portanto, aquela ideia de que o que difere o homem do resto dos animais é a comunicação existe em função da complexidade do processo de comunicação humana, que julgamos ser bem maior que a dos demais emissores e receptores (daí a diferenciação). Imaginem o quanto há para se aprofundar no estudo de tudo o que existe enquanto emissores e receptores de mensagens num processo de comunicação.

A Codificação e Decodificação abrem caminho para o campo de estudo das linguagens. Não devemos limitar este campo às linguagens orais ou escritas. Pelo contrário, há outras formas de linguagens muito importantes como a gráfica, a corporal e outras. Associados ao estudo das linguagens estão uma infinidade de temas como cultura, idiomas, história, linguística, entre outros tantos.

Pensemos agora nos relacionamentos existentes entre Emissor/Receptor e Codificação/Decodificação. Se cada componente do processo básico já permite vislumbrar um universo diferente, conhecer as relações entre estes universos de conhecimentos é um desafio ainda maior.

Mas não ficamos por aqui, há ainda o elemento Meio de Comunicação (em diversas ilustrações desse modelo do processo de comunicação aparece também como Canal de comunicação). Esse componente do processo permite sua exploração tanto no aspecto tecnológico quanto no científico teórico e, então, constitui outro campo de estudo.

Se pararmos para pensar da correlação entre Canal e Codificação/Decodificação não será difícil compreender que esta correlação (no caso da comunicação humana) é mediada pelos sentidos (visão, tato, olfato, etc.). Aqui reside o conceito de percepção e o mundo físico entra em contato com o mundo psicológico. Institui-se a imprecisão, a incerteza e a relatividade ou subjetividade no processo de comunicação.

Os Ruídos entram em cena neste processo assumindo a responsabilidade pelas falhas de comunicação. Embora o termo nos remeta normalmente à ideia de barulho, no processo de comunicação ele encerra um significado bem mais geral. Trata-se de tudo que interfira no processo de transmissão da mensagem. Considerando que comunicar vem de "tornar comum", os Ruídos podem ser inclusive ocorrências mentais que de uma forma ou outra dificultem a transmissão das mensagens. Assim, o estudo dos Ruídos é um desafio com o qual devemos nos ocupar.

Enfim, chegamos à Mensagem como o componente final que surge na ilustração usada acima. Ela é, do ponto de vista do processo de comunicação, a razão de ser de tudo. A ausência de qualquer dos componentes torna o processo incompleto por faltar um dos seus elos, mas a ausência da mensagem o torna vazio. A Mensagem é o objeto da comunicação, é aquilo que é trabalhado e para a qual tudo é preparado. Emissor e Receptor estão focados nela; os Códigos usados são escolhidos adequadamente a ela; o canal ou Meio de Comunicação é selecionado para dar confiabilidade à sua transmissão; os Ruídos, embora inevitáveis, são monitorados para não a distorcerem.

Afinal, se comunicação é o processo pelo qual se "torna comum" alguma coisa, a Mensagem é aquilo que se torna comum ao final de uma boa comunicação.

O estudo dos temas relacionados à construção de mensagens é, portanto, quase que uma obrigação de qualquer profissional que tenha seu trabalho diretamente ligado à comunicação.

Abraços


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